domingo, 3 de dezembro de 2017

Precisamos falar sobre os erros na Matrix

Eu vou sair, eu preciso me mudar. Eu vou lá pro interior

Vou viver perto de mim
...

Eu preciso saber, descobrir o que eu

sei

Quanta intensidade. Cotidiano, momento, sentido, epifanias, existência... Tenho repetido muito alguns termos ultimamente. Isso é não só porque to lendo coisas que falam eles, mas porque tenho pensado muito nisso. E tenho ido longe com o pensamento. 

Mas nisso... o que? Tenho pensado no cotidiano? Na existência?

Eu não sei bem.

Sei que tenho refletido muito.

E a cada vez que compartilho isso se transforma, ou se desenvolve, ou sei lá... É bizarro como as pessoas conseguem entender meu sentimento sem eu conseguir discernir exatamente o que ele é.

Uma agonia, uma ansiedade.. Que, ah! Percorre esses dias mercadológicos. 

Esse é um texto talvez um pouco longo, fruto das diversas linhas de raciocínio que ando tendo nessa semana. Não precisa ler os subtítulos em ordem, se quiser.


* Sobre meus amores (e minhas dores?): 

" [...] O tempo de amor é o tempo de dor... O tempo de paz não faz nem desfaz [...]"

Vinicius tem sido bem requisitado nos meus pensamentos. Versos e versos que ecoam com significados amplos... A música no geral tem sido uma poesia que exala muitos do meu ser. E eu nem sabia que isso acontecia com as letras da música. É bem recente o meu processo de imergir nos sentidos da linguagem sobreposta aos arranjos musicais.

Até ontem a música que me expressava era, em uníssuno, "Desgarrados", do Mário Barbará. Há um mês era "Tocando em Frente" do Almir Sater. Hoje o som do Froid pesou, e foi fundo haha (está sendo bem gostoso esse processo de se identificar na arte: seja música, seja literatura, sejam pessoas do cotidiano).

É tempo de mudança. Tempo de reaver aquilo que tá dentro, que urge por vontades. Quais as minhas vontades? Quais as vontades do mundo? Qual sociedade queremos? Qual futuro queremos? Ah! O peso de ser uma nova geração é tão... O mito de Sísifo. Talvez seja esse um dos paradoxos da nossa espécie (ou seria "da nossa geração"?): ter a capacidade de mudança, porém nunca efetivamente chegar ao fim da história. Cuidado com as referências nesse texto. Elas vem de todo lado e toda hora hahahaha

Mas calma. Ainda vou falar de esperança depois, pra acalentar um pouco nossos corações <3 

.

* Sobre espaço-tempo e estar ansiosa:

“Querer chorar de dor. Querer se sentir criança? Querer sentir o que uma criança sente quando é criança? Querer sentir?

Querer só chorar
Quando der vontade.” 
[Eu, na rede social que é o facebook. Em uma conversa cotidiana. Sexta, 01/12.]

É querer viver o momento. Viver o momento como uma criança. Sabe quando tu observa a expressão de um sentimento espontâneo? É. É isso. 

E o que eu tenho querido? 

No momento?

[ As vezes tenho me perdido nas saudades. Saudades de tempos distintos. Seja ano passado, seja 5 anos atrás, seja o mês que passou. Quando evoco a memória em momentos de solidão, de melancolia, a ansiedade toma lugar à racionalidade e tudo descamba por um terreno íngreme. Como o mito de Sísifo, da mitologia grega, sabe? (isso foi um breve parênteses hipertextual. Sendo que li sobre hipertexto quando estava terminando essa postagem kkkkk escrever é muito divertido).]

Quero pesquisar sobre cultura da interface, semiótica, teoria da complexidade, subjetividade? Ah! Quero pesquisar taaaanta coisa

Quero comer o mundo! Em camadas, por partes. Apreciando, vivendo... Sentindo

Mas o tempo tem me perseguido.

O tempo me persegue no sentido de minhas motivações: aquilo que quero, aquilo que posso. No momento. E essa tem sido sempre a questão: [...] o momento.

Acabei em um tópico (acabei em vários na verdade, ultimamente as epifanias tem sido múltiplas e extremamente sistêmicas... Hipertextuais? Haha): Perder a noção de tempo, perder-se em si

Tenho revisitado antigas escritas minhas. E como é louco revisitar-se a si!

Percebo como buscava desenvolver a linha de raciocínio: os conceitos, as pontuações, a ordem das informações. Tudo tentando expressar aquilo que sentia – mas não para o papel. Não para o computador, não para alguém ler. Para mim. Para falar comigo. E, ah! Lendo agora faz tanto sentido... 

Não tenho conseguido descrever as epifanias diárias que têm explodido em mim. São tantas, tão distintas, tão sistêmicas! E anoto palavras-chave pra conseguir escrever sobre depois. Mas o depois não chega.

[É, talvez esse seja um texto sobre t.e.m.p.o. E sobre espaço - mas essa variável vou deixar pra imergir em outro momento. Muita informação pra digerir.]

Eu preciso de tempo pra mim. De tempo pra conversar comigo mesma. Naquela época (2015, talvez até início de 2016 – ou nem tanto), a forma que encontrei foi escrevendo. No ápice de um sentimento incontrolável eu escrevia. Escrevia conversando comigo.

Agora tenho tido outras formas; outras estratégias pra lidar com alguns sentimentos específicos (basicamente, pra lidar com as minhas próprias noias e ansiedades). As vezes é cantando trechos de músicas para pessoas. Algo que tem me feito muito bem é fazer exercício (inclusive ahhhh quero muito poder andar com a bicicleta que meu pai recém ajeitou pra mim!), tomar meus suplementos de manhã, comer bem. Tenho comido muito. Ah, e dormido também. Mas tem tantas pequenas coisas! Que nem sabia que eram estratégias... E acabaram se tornando. Como levantar e fazer um café. Tomar um banho. Trocar de som. Chamar alguém pra fumar um crivo. Começar a fazer uma arte no photoscape. Conversar com uma pessoa aleatória da rua. Ir para o rolê sozinha e não me sentir sozinha. Conhecer pessoas novas e não me sentir sozinha. Me apaixonar por pessoas novas e não me sentir sozinha. Não me sentir sozinha. É. Tenho conseguido isso!

E é isso que acontece (sobre a minha capacidade de escrita nos últimos tempos) (e olha a relatividade que significa ‘últimos tempos’). Acabo narrando algo do cotidiano – porque isso é o que tem acontecido. O cotidiano! (Como transpor o que está acontecendo ‘agora’ em linguagem?)

Falar sobre o que me tocou no dia, o que me movimentou. Eu converso comigo mesma quando sento pra falar com meus amigos, ou quando tiro fotos de coisas que quero lembrar daquele dia – com aquele momento. Momentos para serem evocados posteriormente. Evocar memórias. E pra eu conseguir escrever assim, na sinceridade – com a espontaneidade semelhante à euforia que foi o sentimento – prescinde a capacidade de dedicar atenção e .... tchananammmm: tempo pra essa ação. 

Tenho que ser menos consumida pelas temporalidades que não são minhas – e que não são pra mim.

Tempo.

Um texto de frases rápidas. De frases com poucas vírgulas, com frases afirmativas. Olha a temporalidade desse texto! Assim tem sido meu cotidiano: fluído, ambíguo, inebriante, sem conclusões ou afirmações muito complexas. O mais complexo é sentir o momento.

.

* Sobre não estar sozinha, talvez por estar comigo

Novos dias, novas companhias.

Novos momentos. 

"Mi pensamiento es tan ligero" - parece que cada vez mais me construo (me transformo?) observadora. E a realidade é um fluxo intenso demais de informação. Quero conseguir adaptar meu softwarezinho às novas necessidades, heheh (vide: "A Procura da Essência").

Os sons tem mudado muito - os sons que ouço. Os hábitos estão se renovando. Conheci novos grupos de pessoas com as quais quero estar junto. Mudei o tema de pesquisa da monografia (mudei de orientador), vou mudar a disposição do meu quarto. Mudei meu cotidiano por ter quebrado o pé.

Um breve parênteses:
[ Fui pesquisar sobre hipertexto. Que loucura. Parece aquele rolê que tive com a sinestesia, enquanto escrevia o primeiro texto que (bem posteriormente à escrita) resolvi postar aqui. (vide: "O dia em que eu me amei"). ]

Então... Sou fruto de uma nova época. De transformações de relações, de questionamento de valores. Seria esse o paradoxo da modernidade? A nova geração sempre reaver o que foi feito? Existe de fato pós-modernidade? Ou o fluxo de informações, complexidade, (caos?) chegou a um ponto que ainda não desenvolvemos ferramentas de expressão/linguagem pra quantificarmos (expressarmos tal qual) a realidade é?

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 * Mas... Coragem amor, coragem! (Entre as essências e aparências)

O Princípio Esperança.

A série "Rick and Morty" tem colocado em evidência muito dos significados (propósitos? Paradoxos? Noias) dessa nova geração. Uma delas é... Subjetiva. Existencial. Qual o nosso propósito? O que queremos fazer? Queremos assistir TV? Queremos nos conformar com uma realidade que nos desgasta? Queremos mudar tudo? Queremos viver? O que é... Viver? [...] Outra é de conceber o universo em sua dimensão concreta (como conhecemos) e repensar a representatividade do ser humano nesse planeta azul.

Isso é algo que Milton Santos e Walter Porto-Gonçalvez trazem. Discutem. A imagem que atribuímos à realidade modifica nossa forma de agir sobre ela. Se agora vemos o universo como algo infinito, vasto, de que serve nossa existência? De que serve nossa ação cotidiana? Qual o significado de “lixo”, de “ética”?

A Nancy Unger tem um livro que fala sobre muitas coisas (hagaeygea digo isso porque não sei bem definir). Em resumo só quero colocar um trecho por ela escrito no livro "Da foz à nascente: o recado do rio".

"O modo pelo qual a vida se nos revela no enquadramento da cultura tecnológica é, prioritariamente, em termos de como ela pode ser representada, transformada, organizada para a realização de algum objetivo humano. A natureza é reduzida à condição única de objeto manipulável pelo sujeito humano, auto-erigido em referencial ontológico do universo. Por isso, pode-se afirmar que a história do mundo é a história da procura de mais e mais poder [Obs.: pra entender essa afirmação seria bom ler tudo o que ela escreveu antes] na medida em que o ser humano entende sua humanidade na razão direta de sua capacidade de tudo dominar. Mas a afirmação do homem como absoluto, a negação de qualquer horizonte de transcendência, redunda no niilismo em que a própria humanidade do homem é negada, na medida em que também é transformada em mais um objeto da vontade de poder. A busca da superação de tal situação implica em repensar essa postura. Se o ser humano não é o fundamento de toda realidade e valor, se ele não é o senhor da natureza, quem é ele? Qual o nosso lugar no universo?" (pg. 27, 2001).OBS: Pense aqui no sétimo episódio da terceira temporada de Rick and Morty.

Estamos vivendo na perspectiva de que não podemos fazer nada? "Ninguém vive por ter, de fato, um propósito. Todo mundo vai morrer". Morty fala quase isso, pro seu avô. Uma criança que vê falta de sentido social na sociedade, em micro ou macro-escalas, atribuindo a si (como indivíduo) essa mesma relação de valor. Seria esse o sentido de "Como nossos pais"? Recitados até hoje com um leve fundo esperançoso; motivador. Até porque, "as aparências não enganam não": temos milhares de imagens projetadas em telas que ocupam nosso imaginário. Tabloides das ruas, roupas, smartphones... Todas telas de expressão de imagens que não são reais: são produtos propositalmente criados para projetar apenas parte do que aquilo realmente é. Será que não estamos aplicando a lógica a nós mesmos? Projetando apenas parte do que somos, porque nossa condição de "reprodução da vida" depende dessa interação com as outras pessoas na sociedade? (vide: Sobre virtualidade e Corredores)

Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais, superestruturalmente falando. Isso é fato. E eles puderam cantar isso com o Belchior também: eles também não eram como os próprios pais. E ai? Qual vai ser? Nossa geração vai fazer algo então? Aqui em Pelotas tá surgindo iniciativas que remontam toque de recolher. A nível federal tem desmontes estruturais da educação pública (e, caso não se saiba: a educação é a lápide da socialização estatal. A escola, como instituição formal de ensino, dissemina e defende determinados valores de convívio. Não vejo muito descontentamento - daquele de até não conseguir deixar de lado, de tão incômodo - com o fato de as escolas parecerem presídios. Hospícios. Fábricas. Naturalizamos o comum, e aceitamos como está.)

Eu também vejo vir vindo no vento o cheiro de uma nova estação.

Talvez tenhamos que mudar nossos ídolos.

Talvez, pra isso, tenhamos que mudar nossas lentes. Aquelas, pra olhar a realidade. A relatividade veio pra deixar dúvidas sobre algumas certezas; a colisão de partículas está gerando um novo campo de... Possíveis mudanças de lentes? Não sei. Tem muita informação, pra todo o lado: toda hora. A relação de espaço-tempo parece cada vez mais um bordo assintótico de possibilidade do contato (que tende à zero) com o real.

“Se as leis da Matemática referem-se à realidade, elas não estão corretas; e, se estiverem corretas, não se referem à realidade.” (Disse o Einstein)

Bordo assintótico é uma coisa da matemática. É difícil pra eu explicar, até porque me delongaria aqui e ahhhh é difícil

Mas aquela frase estranha ali, sobre espaço-tempo, quer dizer que estamos caóticos (ou somos?). Complexos, dinâmicos, eufóricos. Aqui daria pra usar uma metáfora com entalpia também. Você já leu “A última pergunta”? Do Azimov

[ Queria poder falar aqui do relance de ideia (https://www.youtube.com/watch?v=ZESf4fjxl4w nos 0:25 segundos) que tive sobre tendência à zero, aprendendo sobre integrais e derivadas. Dei um sentido existencial. É estranho – realmente estranho, como todas as questões de linguagem, subjetividade e sociedade de consumo que tenho pesquisado convergem para alguma foz que eu não sei qual é. 

Queria conseguir falar de fractais também. Mas como já me propus várias vezes, não vou ultrapassar os limites do momento e acabar mais ansiosa. ]

Na feira do livro de Pelotas do ano passado (2016) eu cheguei a comprar dois livros. Coisa do acaso essa de procurar livros e achar, né? Isso tem sido até engraçado nos últimos tempos. Um dos livros que achei foi "Sorriso do Caos". Me interessei pela capa, me interessei pelo título; vi uma descrição e não entendi bem a proposta. Cinco reais, e ficou mais de um ano guardado na estante. Lembro de tentar ler uma ou duas vezes, começando pelo primeiro capítulo. Não entendia.

Deve fazer um mês, abri o livro só por abrir, e o capítulo levava o nome do livro. Pensei "ué, nem sabia que tinha um capítulo com aquele título", e percebi que sequer tinha visto o sumário. Ah! Que experiências inebriantes foram aquelas! Os primeiros (e bem breves) contatos resultaram em epifanias incríveis (incluindo contribuições ao meu projeto de monografia hahahe). E agora é a primeira vez que cito esse livro e um texto. Foi a página que sem querer abri ontem, e que cômica - ou estranhamente - abri hoje.

"Por onde andam os debates da vida brasileira, que incendiaram a década de 60? O olhar de Paulo Freire. O destemor de Glauber Rocha. A ousadia de D. Helder. Para onde foi tudo isso? Triste década, a da 80! Parece que o “pós-moderno” e o “fim da história” apagaram as labaredas da utopia. Recordo-me da obra do filósofo Ernst Bolch, O Princípio Esperança, publicado em 1956 e ainda não traduzido no Brasil. Oportuno fazê-lo nesses dias em que a utopia aparece como um moinho esquecido, incapaz de atrair novos paladinos” (p. 83)

No início fiquei espantada com a escrita do Lucchesi. É estranho. Parece desconexo. Parece que tem coisas que não sei. Depois de várias interlocuções – vários hipertextos dentro da minha cabeça – começou a fazer alguns sentidos.  Esse moinho esquecido talvez seja algo gostoso de saborear, sabe? Eu quero esperança. Eu não sei muito bem como é, ou o que é. Me sinto à margem de um rio jovem, que nem sabe pra onde vai. Talvez, como diz o Alceu, “Dom Quixote liberto de Cervantes... Descobri que os moinhos são reais”... A arte se torne uma válvula de expressão: expressão daquilo que nos afugenta, que nos dá a sensação de não ter o todo: de não ser o todo. De não ser “uno”.

 “[...] Bloch elabora uma filosofia do possível, tensionada na utopia. A vontade de mudança, as condições objetivas do real, o ainda-não: tal a sua paisagem. Trata-se de dar um rosto e de se atribuir resultado à utopia. De resgatar-lhe a força material e ativa. Apesar das diferenças, Bloch e Benjamin encontram-se num ponto: a leitura do real a contrapelo. E a utopia cumpre exemplarmente essa função.” (p. 84)

Preciso de utopia. Preciso matar outro Deus, não sei bem ainda quem ele é. Tem parecido as vezes na forma de ciência, mas a decoerência quântica tem feito eu me movimentar em direção ao método científico como algo producente também. Se o ópio do povo é hoje o consumo, talvez o Deus que tenhamos que matar é o sistema produtivo capitalista.


E como ter esperança?

Ainda não sei bem como responder isso. Então vou terminar com uma citação da Nancy pra tentar terminar. É difícil tentar terminar.

“No entanto, ao longo de todas as vicissitudes que marcaram o desenvolvimento de nosso percurso civilizacional, com suas características de reificação, instrumentalização e controle, sempre houve aqueles que mantiveram outra visão do mundo, aqueles que zelaram pelo cuidado com a vida e a reverência pelo sagrado, aqueles que mantiveram uma escuta poética da vida: aqueles dotados de sabedoria, independentemente de seu lugar social, e muitos, talvez na maioria das vezes, à margem das instituições e dos templos oficiais do saber.” (p. 29)

E que, tomara, seja como Alceu se proclama também... “Incendeio esses tempos glaciais”.

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* Conclusão (ainda conhecendo margens do Rio, apenas)

Angelus Silesius diz: “Deus é o meu centro, se o envolvo em mim" SE o envolvo. Mas matamos Deus. Matamos a resposta metafísica de sentido da realidade, porque desenvolvemos métodos mais acurados pra percebe-la.

Não basta dizer que existe sentido.

Não basta dizer que temos que aproveitar o cotidiano.

Não basta dizer que a felicidade está nas pequenas coisas.

Os clichês mal argumentados não nos bastam mais. Precisamos da densidade. Ignorância nunca foi uma benção: sempre foi uma condição aceita. E nós não somos como nossos pais. Os filhos nunca são os pais; são eles mesmos. São a escola, a cidade. A rua.. os animais de estimação. As pessoas são um infinito de variáveis juntas: genética, socialização, idiossincrasias.

A cabeça do ser humano está entrando em colapso - com ela mesma.

Matamos a sensação de onipotência em relação a realidade.

Então agora o que é real?

Por isso precisamos falar sobre os erros na Matrix.

Precisamos falar sobre os problemas da realidade.

A realidade hoje é meu quarto, em Pelotas, no Rio Grande do Sul. Brasil, América latina.

Entender a si é entender seu próprio espaço tempo.

E sabe o que temos em comum com milhares (milhões, bilhões de pessoas)? Alienação.

O sistema produtivo que a sociedade construiu consegue se auto-perpetuar, através das mercadorias, e, posteriormente, através da imagem: das mídias, das instituições, da escolarização... De todas as formas de inserir no sub consciente imagens fragmentadas do que é o mundo real.

A virtualidade é uma erva daninha.

Mas,
"O senso de comunidade já implodiu dentro dos jovens". É aquilo do Alceu Valença né (aeieaeaygeau gosto dele): "Eu sou você... Olha a chuva chovendo" e complementando com Almir Sater (bah o fim do texto estava tão bom, agora vou terminar ele de forma clichê e bizarra. Desculpa. Pra mim) 

"Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe, só levo a certeza... de que muito pouco sei. Ou nada sei. É preciso amor pra poder pulsar, é preciso paz pra poder seguir, é preciso a chuva.... Para florir"

Posso eu querer uma vida de flores?

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Lembranças: Contiguidade de (re)vidas



Contiguidade de (re)vidas

Amanheci chorosa, envolta numa revolta que desconhecia.
O que sabia era que me desolava;
Nessas tortuosas desenvolturas condicionais,
Fora-me tirado o conforto da minha estabilidade,
E clamei pelo retorno, só que o espaço que antes ocupara,
Lá não estava mais.
Superei.

Cresci comprometida com os casos perceptíveis,
Associando esses descasos compartimentais,
Fascinou-me tanta informação disseminada,
Fui entregue às ondas das tais gnoses
Num vaivém contínuo
Extasiante.

Morri angustiada.
Descobri que não controlava o refluxo,
Mas que também não me era permitido dele desistir.
Definhei.

E como todo o biótico,
Impregnei um solo fértil,
E num rebuliço a malgrado fui deslocada,
Já que à materialidade aquelas ideias eram daninhas.
Excretaram-me.

Não tinha mais meu lugar:
Não tinha mais meu ser.
Chorei.