sábado, 12 de agosto de 2017

Vazio

Todos escrevendo sobre algum momento cotidiano

Eu não quero escrever o que está acontecendo, quero escrever o que sinto (o que sou?). Não me conheço - ou, talvez, me conheça - tanto que não consigo expor em palavras

Vazio

* Na última quarta tive aula de arte e loucura. O Ney fez uma atividade de termos que escrever continuamente: sem pontos, sem parágrafos; apenas colocando palavras que viessem à mente após olharmos grupos de imagens/vídeos. Não conseguia saber o que era pra escrever ali. Na minha cabeça? Bom, na minha cabeça tinha a possibilidade estudar piano que não acontecia por eu estar ali; a aula da noite que não queria ir; os trabalhos que tinha que entregar no dia seguinte; estava, enfim, o conjunto das minhas ansiedades.

Mas eu dialogo com elas. Sempre. Sei o que me agonia. Seja passado ou presente. A diferença é que a ânsia pelo que virá só se resolve quando vem. Será que era isso que eu tinha que escrever?

Fiquei pensando nisso quando o pessoal leu as suas anotações. Alguns fizeram frases clichês existenciais, a maioria colocou o que estava acontecendo. É isso que passa pelo infinito do imaginário que eles construíram em toda a vida? Não sei. Sei que percebi minha agonia ao escrever. Aquela velha, aquela da cobra. O vazio me consome. E o vazio não vem só quando eu chamo, as vezes é involuntário. As vezes é bom, na maior parte das vezes é angustiante. Veio agora, enquanto assitia 70's show. Veio o que eu gostaria de falar sobre o que escrevi, lá na aula. É o trecho no início do texto. Hoje teve alguns breves momentos que o conceito de "atos falhos" teve sentido. Conscientemente perguntei "será?", e veio novamente. Então parei, "não, pera!" e voltou. E fluiu. E foi gostoso escrever. Ah!

Não está tal qual pensei. Nunca está. Mas ficou próximo. O sentido ainda é dúbio. Alguns vão achar que entenderam, e que bacana! Porém só saberem se o fizeram de fato, se conseguirem retribuir minhas conclusões. Será que alguém faria isso?

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Perdida

Não é falta de criatividade. Nem falta de interesse. É falta. É falta de alguma coisa que eu não sei o que é. Escrever era, pra mim, cessar o choro - transpor o êxtase. Nem choro, nem êxtase tenho tido. (Seriam esses os motivos de minha desenvoltura?)

Da última vez que escrevi, lembro que foram três linhas de uma folha: "não escrevo por ter medo de não ser bom o suficiente". E, antes disso, lembro de me comprometer em tentar escrever mais, já que estava diminuindo a frequência da minha escrita.

O que têm dado certo é o piano. Meus dedos fluem quase como o sentimento, quando não são as origens de outros. Mas as palavras.. Ah! As palavras. Elas me limitam. Elas me pedem pra reduzir esse caos que mora em mim. E no desenvolver das frases começa a noia: por que não consigo transpor em palavras isso tudo que estou sentindo? E. é. a. mesma. noia. de. sempre. Por isso tenho deixado de escrever - não supri a velocidade do meu raciocínio. Não supri a ebulição de ser que tenho experimentado ultimamente.

O que me resta?

Tocar, talvez. As linhas das ilustrações também têm me levado sutilmente por caminhos inesperados. Ah! Eu sinto o êxtase e não consigo EXPRIMIR! Como pode a agonia da existência me consumir cotidianamente dessa forma?

quarta-feira, 12 de julho de 2017

O Gato de Schrödinger e minha Interação Social


Me sinto à margem das interações sociais, distante de algo que gostaria de estar perto, mas meus traços de personalidade não condizem com essa possibilidade. E naquele fluxo intenso de perguntas e respostas, chego naquele lugar: nenhum.

Gosto de analisar dados. Entender como as coisas funcionam, o que levam elas a funcionarem. Porém, em determinado aspecto, minha análise parece sempre envolta em determinantes subjetivos que eu desconheço. E como proceder?

Esse texto parece não estar ficando claro. O que é mais estranho (ou cômico?) ainda. Queria expor aqui a minha impossibilidade de tomar atitudes em relação à interação social. E na tentativa de começar pelo sentimento, me perdi. (Ou foi na tentativa de fazer o outro entender? Oh!)

É sempre assim. Louvo aquela racionalidade por me propiciar momentos tão lúcidos, mas é só chegar os inebriantes sentimentos que ela de pouco serve - à mim, no caso. 

O Gato. 

O caso do gato é estar morto e estar vivo ao mesmo tempo - tal qual, talvez, seja meu ser (não) social. Acho que, profundamente, estou esperando a caixa ser aberta. Só que... Densamente, sei que ela está tão aberta, quanto fechada. 

E chega o silêncio do outro, me observando. Estava tão bom observar ele, antes de eu notar as breves respirações. Não, não olhe pra mim. Não olhe pra mim pois não saberei como reagir. Afinal, quando eu for falar com você, o gato estará vivo, ou estará morto? Eu estarei em você, ou você tentará estar em mim? 

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Eu?

Lapidei dentro de mim um muro
Do outro lado deixei meu ser,
Moldei-me aqui ao que queria estar;
E automatizei até natural parecer.

Agora é confuso o espontâneo,
As linhas ora tênues se entrelaçaram num labirinto
no qual acredito há tempos ter me perdido

Que angustiante tangenciar seres que de mim mesma escondi

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Alguns pacotes daquilo que não consigo escrever


.. de poucos minutos. É o que consegui. Vivas!

When I Awoke - Agincourt
Norwegian Butterfly - Complex
Caedmon - Sea Song
Rock Island - When I Was a Boy

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Na Agonia de Querer

Aquele momento de chegada da aula – 22hrs – em que não houve nenhum tempo durante o dia em que pudesse fazer algo meu. Ver série, tocar violão. Qualquer coisa que me acalmasse, que me deixasse bem. Passar o dia em função de atividades que me estressam, me tiram o ânimo, gera essa agonia (dolorosa agonia).

Chega a um ponto que meu sono me consome. Mas não quero dormir: quero fazer aquela coisa minha, aquela que quis o dia inteiro – e não pude. Quero tanto fazer que continuo acordada. Sei que tenho que acordar cedo amanhã, e sei que não funciono bem quando não durmo bem. Aí estou cansada demais pra fazer minhas coisas... Desenhar? Não, muito esforço intelectual e físico combinados. Tocar teclado? Nem pensar. E assim descarto cada uma das possibilidades que me fariam bem.

Aí começo a deliberar conclusões: será que estou noiando? Será que poderia fazer algo e não consigo perceber? Mas já faz tanto tempo que tô nesse conflito... Será que não seria melhor dormir? Mas... Não quero dormir, ainda. Falta algo.

Ah! Preciso do tempo pra mim.

E é aquela história da cobra. Não sei como sair disso. Quando chego a algum lugar, eu já estava lá antes. E lembro de ter chegado nele tantas vezes. Tento caminhos diferentes? Claro, quero resolver isso. De uma forma ou outra, acabo sempre chegando ao mesmo início. Será que é um problema? Digamos que nunca me sinto satisfeita, nessas situações. Dormir acaba se tornando a única opção, rompendo aquela trajetória circular da minha cabeça – afinal nunca consegui romper o ciclo dos raciocínios envoltos em noias.

Queria saber como parar.

Talvez alguns quisessem saber como começar.

Só tenho a dizer que ainda não dormi.

E ainda não tive aquela satisfação que preciso.


Começou novamente.

Boa noite.